Amigo de Lula é preso pela PF
José Carlos Bumlai estava em Brasília para depor na CPI do BNDES da Câmara dos Deputados
25/11/2015 06:01Foto: Suellen Lima/ FramePhoto /
José Carlos Bumlai é conduzido ao IML de Curitiba para exame de corpo de delito
Folhapress
São Paulo –A Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras, chegou ao círculo de pessoas próximas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a prisão do pecuarista José Carlos Bumlai, seu amigo, ontem.
Bumlai foi preso em um hotel em Brasília na 21ª fase da Lava Jato, intitulada “Passe Livre” –referência ao suposto acesso fácil que o pecuarista tinha ao gabinete de Lula. Ele se preparava para depor na CPI do BNDES da Câmara dos Deputados. O testemunho foi reagendado para a próxima terça-feira (1º).
A existência de testemunhos relatando que Bumlai invocava o nome do ex-presidente para obter vantagens ilícitas ligadas a negócios da Petrobras foi uma das justificativas do juiz federal Sergio Moro para determinar a detenção do pecuarista. Lula, no entanto, não teria responsabilidade, segundo o juiz.
Moro diz que Bumlai teria participado de esquema de fraude para financiar o PT.
O testemunho do lobista e delator Fernando Soares, o “Baiano”, que intermediou contrato do grupo Schahin com a Petrobras, foi um dos citados no despacho de Moro. De acordo com a acusação, o Banco Schahin teria repassado R$ 12 milhões ao pecuarista em 2004, dinheiro que teria como destino o cofre da legenda.
Como compensação, o grupo Schahin teria sido beneficiado por um contrato de operação de um navio-sonda no valor de R$ 1,6 bilhão.
Um dos acionistas do grupo Schahin, Salim Schahin, afirmou, também em delação premiada, que o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o publicitário Marcos Valério, operador do mensalão, atuaram para que o empréstimo fosse concedido.
Além disso, ainda no relato de Schahin, o então ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, telefonou em uma ocasião para falar sobre “amenidades” –o que foi entendido por ele como sinal de que o empréstimo iria ao PT.
Logo após receber o dinheiro, Bumlai declarou ter emprestado R$ 12,6 milhões à Fazenda Eldorado S.A., empresa que pertencia ao Grupo Bertin, à época controladora de um dos maiores frigoríficos do Brasil.
Os irmãos e executivos do grupo Natalino Bertin e Silmar Bertin foram levados para prestar depoimento à PF nesta terça. A suspeita é que a operação tenha sido um empréstimo de fachada, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro que seguiu para o PT.
A operação desta terça também foca nos contratos de empréstimo de Bumlai com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Policiais federais estiveram na sede do banco no centro do Rio e recolheram cópias dos contratos e seus processos de aprovação, realizados entre 2009 e 2012. (