Home  / Notícias  /  Candidatos tentam reaver valor pago no concurso da Metrobus cancelado

Candidatos tentam reaver valor pago no concurso da Metrobus cancelado

20 de janeiro de 2017

Após ocancelamento do concursoda Metrobus, concessionária que administra o Eixo Anhanguera, os candidatos ainda não sabem quando vão ser ressarcidos do valor da inscrição. A empresa havia informado que divulgaria o edital sobre a anulação do certame no último dia 16, mas não o fez e disse que ia publicar o documento nesta sexta-feira (20) nosite do Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento(Ibade), responsável por organizar o concurso. Porém, ainda não divulgou.

Entre os que se inscreveram no concurso está o engenheiro mecânico Ueberton Bobifácio Farias. Desempregado há cinco meses e com a mulher grávida, ele mora de favor na casa da sogra e precisa com urgência dos R$ 80 que pagou para participar do certame.

“A prova teria sido feita em setembro, e a gente já estaria entrando e assumindo o cargo”, lamenta Farias.

Anunciada em julho de 2016, a seleção oferecia 238 vagas com salários de até R$ 7,4 mil. Conforme o edital, os salários podiam chegar a R$ 2,2 mil para nível médio e a mais de R$ 7 mil para nível superior.

Suspensão e cancelamento
Em 6 de setembro, oedital foi suspenso. A publicação no Diário Oficial do estado ocorreu um dia após o fim do período de inscrições.

Na época, o Ibade publicou nota informando que a suspensão do concurso aconteceu por solicitação da Metrobus. De acordo com a empresa, a seleção havia sido suspensa para sofrer mudanças de adequação às novas demandas da concessionária.

Cerca de quatro meses depois, no dia 3 de janeiro, a Metrobus anunciou o cancelamento do certame. De acordo com o comunicado da empresa, a medida faz parte do plano de cortes de gastos do governo, que a inseriu "no Programa de Desmobilização e Gestão dos Ativos do Estado de Goiás (Pdeg)”. Assim, a concessionária deverá “formalizar uma parceria público-privada, tornando inviável a realização do concurso para contratação de novos colaboradores”.

O cancelamento frustrou os candidatos. "A gente se sente lesado. Não só pela parte financeira, pois é um dinheiro que ficou parado ali, é pouco, mas ficou parado. É mais pelo fato da expectativa", disse Farias.

A assessoria de imprensa da Metrobus não foi localizada para se posicionar sobre a situação dos candidatos.

Ressarcimento
Especialista em direito público, o advogado Otávio Forte afirma que a Metrobus tem a obrigação de devolver o dinheiro da inscrição aos candidatos. Ele também defende que a empresa pague o que os inscritos investiram para fazer a prova.

“A Metrobus tem que devolver o mais rápido possível, integralmente, [o valor da inscrição] e, acredito, que a Justiça garanta essa correção monetária. Além de todos os prejuízos materiais, como apostilas, quem fez inscrição pra curso, e prejuízo morais, de sofrimento psicológico”, afirma o advogado.

Forte explica que os candidatos que desejarem reposição por danos morais e materiais devem entrar com uma ação judicial. “Se for de até 40 salários mínimos, como a Metrobus é uma sociedade de economia mista, pode ser protocolizada no juizado especial cível. Se for de até 20 salários mínimos, ela não precisa contratar um advogado, mas é recomendável que sim, e ela tem que fazer prova desses gastos, juntar as despesas que fez para pedir o ressarcimento”, orienta.

Fonte: G1 Goiás