Embaixadores goianos nos EUA
Dois estudantes de escola pública em Goiás conseguem viagem de intercâmbio aos EUA em projeto que estimula o trabalho voluntário
31/10/2015 06:01Zuhair Mohamad
Gabriel Ferreira Moreira, de 17 anos, está concluindo o ensino médio: “era inimaginável”
Andréia Bahia
Dois alunos de escolas públicas de Goiânia estão entre os 50 selecionados pela embaixada americana para passar três semanas nos Estados Unidos em janeiro do ano que vem. A viagem faz parte do programa Jovens Embaixadores, que leva adolescentes entre 15 e 18 anos para um curso de intercâmbio de graça. Desde 2012, 417 brasileiros já participaram do programa, que é uma forma de incentivo ao trabalho voluntário. Fazer algum trabalho dessa natureza é critério de seleção do programa.
O estudante Gabriel Ferreira Moreira, de 17 anos, é um dos escolhidos em Goiânia. Ele cursa o 3º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Olga Mansur e lá também é monitor das disciplinas de física, química e biologia há um ano e quatro meses . Foi na escola que ele descobriu o programa Jovens Embaixadores por meio de um cartaz disposto no mural. Depois da inscrição, feita em julho, Gabriel superou uma série de etapas, todas envolvendo um nível mínimo de compreensão e conversação em inglês. “Não é preciso ser fluente, mas é preciso conseguir se comunicar na língua”, explica.
O histórico escolar e cartas de recomendação fazem parte da etapa mais burocrática da seleção, que inclui ainda redação de cartas em inglês sobre trabalho voluntário e a escolha do curso que pretende fazer, relata Gabriel. A fase seguinte é uma prova escrita, que consiste em seis redações sobre diversos temas, e, quem passa por mais essa etapa, é testado oralmente por meio de um questionário em inglês. Para Gabriel, que fez um curso básico da língua e aperfeiçoou o idioma sozinho, não foi difícil, ele conta.
PLANOS
Por fim, Gabriel recebeu a visita de representantes da Secretaria de Educação, que levantaram a situação econômica da família, e na quinta-feira, 29, recebeu a noticia que foi selecionado para o programa. “Isso era inimaginável”, diz ainda surpreso com a possibilidade de conhecer os Estados Unidos. Gabriel mora com a mãe, que é caixa em uma loja de tintas, e o padrasto, que é policial militar. A possibilidade de uma viagem aos Estados Unidos nunca fez parte de seus planos. “O programa, além de pagar todas as despesas, ainda fornece o casaco de frio”, diz agradecido.
Esse também é o sentimento de Luana Souza Dias, de 15 anos, que também vai embarcar para os Estados Unidos no dia 8 de janeiro para uma viagem de três semanas. Na programação, reuniões com autoridades do governo dos Estados Unidos e com líderes de Organizações não Governamentais (ONG), visitas às escolas e projetos sociais, participação em atividades de voluntariado e apresentações sobre o Brasil, sua cultura e seu povo. Luana, que estuda no Colégio Militar Waldemar Mundim, conta que chorou ao saber que havia sido selecionada. Ela concorreu com 13 mil adolescentes que se inscreveram no programa.
O pai de Luana é técnico em eletrodoméstico e a mãe tem uma pequena mercearia em casa, no Setor Orlando de Morais. Luana é a mais velha das duas filhas do casal e faz o 2º ano do Ensino Médio. Ela também é monitora de inglês na escola em que estuda há um ano e seis meses e ficou sabendo do programa graças à professora da disciplina, Janete Ali Dahbur Mendes. Luana é a terceira aluna do colégio que participa do programa. No final da viagem, os estudantes devem apresentar um plano de ação na área de voluntariado para ser implantado nas comunidades que moram.
Zuhair Mohamad
Luana Souza Dias, de 15 anos, chorou ao saber que foi selecionada para o intercâmbio
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