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Falsa clínica de reabilitação submete dependentes químicos a trabalho escravo, diz Procuradoria

28 de julho de 2022

A Procuradoria-Geral do Trabalho divulgou nesta quinta (28) o resgate de 15 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Patos de Minas (MG). A empresa, fabricante de peças de gesso, informava ser uma clínica de recuperação para usuários de drogas e álcool, que utilizaria o trabalho como parte do tratamento.

Segundo o coordenador da ação, Humberto Monteiro Camasmie, as vítimas eram recrutadas em outros municípios, em bairros de periferia e no período noturno. Representantes da suposta comunidade terapêutica prometiam emprego e reabilitação a pessoas em situação de rua, sem vínculos familiares e em situação de vulnerabilidade psicossocial, em razão do abuso de álcool e drogas.

Havia promessa de pagamento a quem cumprisse metas que dificilmente eram alcançadas, motivo de agressões e ameaças. A suposta clínica também não tinha supervisão médica, psicológica, corpo de enfermagem ou plano terapêutico.

Segundo Camasmie, que é auditor-fiscal do trabalho, José Augusto Santos Neto se apresentou como o responsável pela Clínica Missionária Renascer durante a inspeção. Procurado, o advogado Carlos Roberto Silva Júnior, do Viana Lima Advogados, não respondeu até a publicação desta reportagem.

Embora Renascer esteja no nome do estabelecimento, a igreja de mesmo nome informou que não está vinculada a nenhum dos envolvidos. Procurada pela reportagem, a liderança da Renascer afirma que não tem nenhuma ligação com o local e que suas obras assistenciais estão todas localizadas em São Paulo. A instituição diz que tomará as medidas jurídicas cabíveis para que os acusados parem de usar o nome Renascer.

A ação, que começou no dia 14 de julho e partiu da denúncia de uma vítima, fez parte da segunda edição da Operação Resgate, que resgatou 338 trabalhadores em situação análoga à escravidão no mês de julho.

A operação na falsa clínica foi conduzida pela SIT (Subsecretaria de Inspeção do Trabalho) do Ministério do Trabalho e Previdência, pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Fonte: Mais Goiás