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Inconsequência de jovens é apontada como motivo de 4 em cada 10 mortes serem de pessoas com menos de 30 anos

19 de setembro de 2015

Estilo de vida aumenta risco

Inconsequência de jovens é apontada como motivo de 4 em cada 10 mortes serem de pessoas com menos de 30 anos

Cerca de 40% das vítimas de acidentes com morte no trânsito em Goiás tem menos de 30 anos, segundo levantamento do Observatório de Mobilidade e Saúde Humana do Estado de Goiás (OMSH). Com base em dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), entre 2004 e 2013, verificou-se que 80% das 17.542 vítimas do trânsito neste período são homens e cerca de 25% têm entre 20 e 29 anos. Especialistas apontam o excesso de velocidade, a embriaguez e uso da motocicleta como principais causas.

Integrante do OMSH, Maria de Fátima Rodrigues afirma que este perfil é semelhante ao que se vê no restante do Brasil. A explicação para ele é que os jovens são mais inconsequentes no trânsito, o que leva a se locomover em velocidades acima do permitido; e frequentam mais bares e festas, facilitando a associação da direção com as bebidas. Maria de Fátima conta que o fato de um jovem se casar, por exemplo, já altera o seu perfil entre os acidentados, pois muda seu estilo de vida.

Coordenadora geral de prevenção de acidentes e violências do Ministério da Saúde, Marta Maria Alves da Silva, reitera que o trânsito é a primeira causa de morte em crianças entre 10 e 14 anos e só perde para os homicídios em adolescentes e adulto jovens. “Vemos que o excesso de velocidade e o alcoolismo são os motivos que mais causam acidentes em todo o Brasil, mas em Goiânia há uma particularidade que é a motocicleta.” Silva explica que o aumento da frota de motos é o que propiciou essa situação.

Isso tem a ver com a facilidade de acesso econômico as motocicletas. Maria de Fátima afirma que os jovens de classe socioeconômica mais baixa é um perfil ainda mais específico entre as maiores vítimas. A explicação é que os mais pobres só conseguem acesso a veículos menos seguros, como as motos, e itens de segurança, como capacetes, de menor qualidade. Além disso, eles costumam percorrer distâncias mais longas, por habitar as periferias e trabalhar nas regiões centrais ou mesmo em municípios vizinhos.

“Muitos compram veículos que não precisam ser emplacados e nem mesmo precisam da Carteira Nacional de Habilitação (CNH)”, explica Marta Maria. Esse diferencial no Estado é importante para fomentar as políticas públicas que, há cerca de cinco anos, ocorrem em conjunto com a área de saúde.