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OAS pagou móveis de cozinha do sítio frequentado por Lula, diz testemunha

11 de fevereiro de 2016

OAS pagou móveis de cozinha do sítio frequentado por Lula, diz testemunha

Compra foi feita na Kitchens, uma loja sofisticada de São Paulo, e consumiu R$ 180 mil

Um funcionário da empresa que vendeu móveis para a cozinha do sítio frequentado pelo ex-presidente Lula disse que a compra foi paga em dinheiro vivo pela empreiteira OAS, segundo reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo".

Segundo o depoimento, os móveis foram encomendados por um ex-executivo da OAS chamado Paulo Gordilho.

A compra foi feita na Kitchens, uma loja sofisticada de São Paulo, e consumiu R$ 180 mil, de acordo com o depoimento do funcionário da empresa, que ocupa o cargo de gerente. O nome do profissional está sendo mantido em sigilo pelo Ministério Público.

Apesar de a empreiteira ter pago a conta, o ex-executivo da OAS pediu que a nota fosse emitida em nome de Fernando Bittar, segundo o gerente.

O sítio de Atibaia, no interior de São Paulo, está em nome de Bittar e Jonas Suassuna, sócios de Fábio Luís, filho do ex-presidente Lula. Investigadores da Operação Lava Jato, no entanto, começaram a investigar o imóvel por causa da suspeita de que pertença de fato a Lula. O ex-presidente afirmou em nota divulgada no último dia 30 que frequenta o sítio, mas não é dono da propriedade.

O sítio tem 173 mil metros quadrados, o equivalente a 24 campos de futebol, e foi comprado por R$ 1,5 milhão.

Segundo o depoimento do gerente da Kitchens, a empresa acreditava que Fernando Bittar fosse um executivo da empreiteira. "Para a empresa Kitchens, o tal Fernando Bittar seria um diretor da OAS, uma vez que o projeto inicial e o orçamento foram solicitados pela OAS, além da intermediação e pagamento".

O gerente da Kitchens contou ao Ministério Público que a empresa não foi autorizada a entrar no sítio para fazer as medições para a instalação dos móveis, o que é inusual. Os móveis foram projetados a partir da planta do imóvel, ainda de acordo com o funcionário.

O contrato para os móveis foi assinado fora da Kitchens, contou o gerente ao Ministério Público, o que seria um indício de que os verdadeiros compradores não queriam aparecer.

O site "O Antagonista" publicou as primeiras informações de que os móveis da cozinha do triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia foram pagos pela OAS.

No caso da cozinha do triplex do Guarujá, a OAS teve uma atitude diferente, afirmou o gerente: os pagamentos foram feitos por meio de transferência bancária.

A Folha de S.Paulo revelou na última quinta (4) que uma espécie de consórcio informal fez as obras do sítio, segundo profissionais ouvidos pela reportagem e depoimentos colhidos pelo Ministério Público. OAS, Odebrecht e o pecuarista José Carlos Bumlai bancaram a reforma no imóvel.

Bittar não quis comentar o depoimento do funcionário da Kitchens, segundo a reportagem de "O Estado de S. Paulo". Procurada pela Folha, a assessoria da OAS não foi localizada para comentar o depoimento do gerente da Kitchens.

Fonte: opopular