Palestinos mantêm ataques e Israel reage com mais violência
Onda de violência na região é foco das negociações em Berlim entre o secretário de Estado americano, John Kerry, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
23/10/2015 06:01
Polícia israelense dispara bomba de gás lacrimogêneo contra palestinos na Cisjordânia
(Reuters/Folhapress)
Jerusalém– A polícia israelense disparou contra dois palestinos que esfaquearam um morador de uma cidade perto de Jerusalém, ontem, na onda de violência que foi o foco das negociações no final do dia entre o secretário de Estado americano, John Kerry, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Berlim.
Uma porta-voz da polícia disse que os palestinos ficaram gravemente feridos no incidente e o homem que eles atacaram em uma parada de ônibus na cidade de Beit Shemesh também ficou ferido. Todos os três foram levados para o hospital.
Desde o início de outubro, nove israelenses foram mortos em ataques com facas, tiroteios e ataques de veículos de palestinos, e 48 palestinos, incluindo 24 agressores, entre os quais crianças, foram mortos pelas forças de segurança israelenses na reação.
Entre as causas da turbulência entre os dois povos está a revolta dos palestinos com o que consideram ser uma invasão de judeus na mesquita Al-Aqsa, na murada Cidade Velha de Jerusalém – o local mais sagrado do Islã, depois da Arábia Saudita – que também é reverenciado por judeus como local dos mais antigos templos judaicos.
Benjamin Netanyahu se comprometeu a manter o status quo em vigor há décadas no complexo, pelo qual judeus são proibidos de rezar lá, e negou as acusações palestinas de que tenha a intenção de alterar o acordo.
Momento crítico
Durante o encontro com Netanyahu, John Kerry disse esperar que líderes israelenses e palestinos tomem ações para encontrar um caminho à frente e pôr fim à onda de ataques. “Precisamos adotar medidas que nos levem além da retórica e das condenações”, disse o americano. “É crítico que todo o incitamento e a violência parem e que encontremos um caminho para um processo mais amplo.”
Na reunião, o líder israelense disse ser hora de a comunidade internacional pressionar o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para que “deixe de espalhar mentiras de que Israel” estaria buscando interferir no estatuto de locais sagrados em Jerusalém.
Segundo assessores, o objetivo de Kerry no encontro seria fazer que as lideranças baixassem o tom das declarações que têm feito nas últimas semanas, as quais estimulariam a atmosfera de tensão.
Na semana passada, Abbas provocou polêmica ao acusar Israel de “exterminar crianças” e de ter matado um adolescente palestino após ele ter participado de um esfaqueamento em Jerusalém. Posteriormente, foram divulgadas imagens do garoto em tratamento no hospital, desmentindo a versão de Abbas.
As recentes declarações demonstram a guerra de narrativas que caracteriza o conflito entre israelenses e palestinos e que chega ao auge na atual onda de ataques em Israel e nos territórios palestinos ocupados.