São Luís: 1 milhão de reais em equipamentos foram aplicados na UEG, muitos continuam encaixotados
De R$ 1 milhão em equipamentos, muitos continuam encaixotados por falta de conclusão das obras de infraestrutura. Esta é a realidade atual vivida pela UEG de São Luís de Montes Belos.
Diante de um quadro nebuloso, pouco esclarecido à comunidade acadêmica, prevalecem as dúvidas quanto à conclusão das obras de infraestrutura na UEG de São Luís. Expectativas, polêmica e paralizações estão gerando inquietação no corpo docente e discente da universidade. De acordo com Marco Antonio Batista Júnior, responsável pela Primecon Construtora, empresa executora, as obras só não foram concluídas, devido a falta de repasse do Governo do Estado e dívida ainda não quitada com sua empresa no valor de R$ 55.364,19.
Todos os recursos financeiros destinados à conclusão dos prédios que acomodarão os laboratórios são repassados através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Científico e Tecnológico, Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED), de responsabilidade do vice-governador José Eliton de Figuerêdo Júnior
Enquanto a polêmica prevalece, dois importantes setores de formação acadêmica da universidade capengam sem data para suas conclusões. São eles: o Núcleo de Ensino Pesquisa e Extensão (Nepe) contendo 14 laboratórios e o de biotecnologia. Foram adquiridos R$ 1 milhão em equipamentos, dos quais muitos continuam encaixotados por falta de infraestrutura para suas instalações, em prejuízo não só para o desempenho dos alunos, como também para a comunidade rural da região. Especialmente para os produtores de leite dos 18 municípios, engajados com o projeto Arranjo Produtivo Local do Leite (APL), criado pelo governo do estado.
“É lógico que afeta o desemprenho dos alunos pela falta da oportunidade que eles teriam no que se refere à parte prática, a qual está sendo compensada através das parcerias com a UFGO e a PUC Goiânia”, ressalta Aracele Pinheiro, diretora do campus de São Luís. A comunidade rural também está sofrendo as consequências, porque o laboratório de biotecnologia foi implantado a partir da proposta do APL do leite, de ajudar os produtores com a doação de embriões e inseminação artificial para melhorar a qualidade genética do rebanho leiteiro dos produtores dos 18 municípios engajados no programa que o governo criou para esse fim.
De acordo com esclarecimentos prestados pela diretora da UEG de São Luís, Aracele Pinheiro, o laboratório de biotecnologia que deveria ser construído pela Agetop, por motivo do cancelamento do contrato, a obra iniciada em 2012, está paralisada cerca de 1 ano. Os 14 laboratórios para o NEPE, os quais seriam construídos pela Agência Goiana de Desenvolvimento Regional (AGDR), atualmente incorporada pela SED sob a responsabilidade do vice-governador, suas obras estiveram paralisadas por mais de dez meses, depois reiniciaram. No entanto, há dois meses os trabalhos voltaram a ser paralisados.
Segundo a diretora o argumento das paralizações, seria a falta da licença ambiental expedida pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) de São Luís, já solucionada. Controvérsias que ao final, novamente apontam a falta de repasse de recursos sem data prevista pela sua liberação. Enquanto isto, a formação acadêmica dos alunos fica comprometida e, o melhoramento e as doações de embriões para inseminação artificial, visando melhorar a qualidade genética do rebanho leiteiro, sacrificados, mesmo em se tratando de uma promessa do governo do estado para esse fim.
A última avaliação pelo Ranking Universitário Folha (RUF), divulgada dia 14 de dezembro do ano passado, apontou uma queda no índice da qualidade de ensino da universidade. Caiu da 113ª para a 141ª posição, enquanto a Universidade Federal de Goiás (UFG) subiu cinco posições, conquistando a 17ª colocação.
Sobre a queda de posição no ranking das universidades, a diretora Aracele Pinheiro, considera que, um dos problemas existentes na UEG é o fato de ela ser multicampi, com 42 campus, os quais pulverizam os professores qualificados com titulação. “No geral, o total de professores efetivos na UEG é pouco mais de 50%. Para que o professor permaneça no interior é necessário o atrativo financeiro, porque a grande maioria prefere os grandes centros e esse atrativo é fundamental”, diz Aracele.
Dentre os critérios de avaliação, contam pontos: excelente biblioteca, laboratórios e o corpo docente. O curso de zootecnia e o de mestrado em Desenvolvimento Rural Sustentável, além dos projetos de extensão desenvolvidos para ajudar a comunidade rural, como por exemplo, o projeto de biotecnologia, o qual tem a finalidade de ajudar toda a região Oeste Goiano, são alguns dos projetos que dependem da conclusão das obras, e que, também contam pontos para o ranking.
Para o professor Klayto Santos, responsável pela cadeira de reprodução animal, “O laboratório de biotecnologia, do qual a minha disciplina depende, em condições de funcionamento, temos possibilidades de melhorar não só a parte de ensino, mas desenvolver novos projetos de pesquisa genética, congelamento de sémen, produção de embriões, nutrição e produção animal, envolvendo bovinocultura, suinocultura, avicultura e piscicultura. Enquanto não está pronto, estamos trabalhando com o laboratório menor, mas é evidente que este maior contribuiria em muito na formação dos acadêmicos” avalia o professor.
Fonte: avozdopovo