Temer assinou decretos de abertura de crédito como presidente em exercício
A legalidade de decretos como esses é justamente o motivo central do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff
O vice-presidente Michel Temer assinou ao menos sete decretos autorizando abertura de crédito ao Orçamento, num montante total de R$ 10,8 bilhões.
A legalidade de decretos como esses é justamente o motivo central do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, aceito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Os advogados que assinam o documento apontam irregularidade em decretos assinados pela presidente Dilma em 2015 após 22 de julho, data em que o governo federal reconheceu oficialmente que não haveria superavit primário.
Nenhum dos quatro decretos assinados pelo vice neste ano é posterior a essa data.
Todas as autorizações concedidas por Temer ocorreram em datas em que Dilma estava em viagem ao exterior e ele era o presidente em exercício. As medidas foram publicadas no "Diário Oficial da União" entre novembro do ano passado e julho deste ano, como informou o jornal "O Estado de S.Paulo".
O pedido de impeachment da presidente também questionou os decretos de 2014, mas esse trecho foi desconsiderado por Cunha, por entender que só poderiam ser julgados atos do atual mandato da presidente.
Assessores da vice-presidência argumentam que Temer, na ausência de Dilma, age em nome da presidente da República e ressaltam que não é atribuição dele formular políticas econômicas ou fiscais.
O episódio foi motivo de novas rusgas entre Dilma e Temer -o tema foi mencionado pelo ex-ministro Ciro Gomes, contrário ao impeachment da petista.
Para o entorno do vice, a divulgação é uma forma de desgastá-lo no cenário político atual.
opopular