Um passo à frente
Até mesmo o Palácio do Planalto admitiu ontem, depois de o presidente Eduardo Cunha (PMDB/RJ) anunciar a decisão de acatar o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, que “foi melhor assim”. O governo reconheceu que estava “imobilizado” por essa guerra com o deputado.
Não foram nada nobres os motivos que levaram Cunha a acatar o pedido. Sua decisão foi anunciada logo após a bancada do PT decidir votar a favor da abertura do processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética. Cunha espera agora recuperar o apoio do PSDB para se salvar.
Para o processo ser aberto, a Câmara tem de aprovar o pedido aceito ontem por seu presidente. Caberá agora ao governo e ao PT defender Dilma e enfrentar o plenário, onde precisará de 171 dos 513 votos para arquivar o pedido.
O importante para o Brasil é que a crise política seja enfrentada, pois está aprofundando a crise econômica. A combinação de crise política com os escândalos da Operação Lava Jato teve efeito direto sobre a economia brasileira.
O resultado pôde ser visto no PIB do terceiro trimestre, que caiu 4,5% em relação ao mesmo período de 2014. A solução de uma crise dependerá da solução da outra. Mesmo sendo longo o processo de votação do pedido de impeachment, pelo menos estarão sendo dados passos no sentido de pôr um fim a essa crise política que já custou muito caro aos brasileiros.
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