O dólar opera em alta ante o real nas primeiras sessões desta quinta-feira (10), em lina com o avanço da divisa no mercado global com as tensões no Oriente Médio e decisões sobre juros no radar dos investidores.

A escala nas tensões geopolíticas dão novo fôlego ao petróleo, que se mantém acima de US$ 100, maior patamar desde julho.

Mercados também digerem a alta dos juros pelo BCE (Banco Central Europeu), na zona do euro, e dados da inflação nos Estados Unidos, que devem balizar as expectativas para aumento das taxas pelo Fed (Federal Reserve), na próxima semana.

Por volta de 9h50, o dólar subia 0,4% ante o real, cotado a R$ 5,129. Na véspera, a divisa norte-americana encerrou com alta de 0,44%, aos R$ 5,111.

O movimento segue a tendência de alta da divisa antes uma cesta de moedas fortes, conforme o DXY.

 

 

Petróleo acima de US$ 100

Os preços do petróleo estendem as altas nesta quinta-feira, com o barril acima de US$ 100 em meio à renovação das tensões no Oriente Médio e o temor de impactos no abastecimento energético.

A commodity mostra aceleração desde o início da semana, após novos ataques de houthis contra forças da Arábia Saudita e a atual expansão dos conflitos para o Iêmen.

Por volta de 9h45, o barril do tipo Brent – referência ao mercado internacional – subia mais de 4%, acima de US$ 105.

Na mesma hora, o WTI – base no mercado dos EUA – tinha avanço de 4,1%, a US$ 100,02 o barril.

Os houthis, alinhados ao Irã, assumiram nesta quinta-feira o controle da histórica cidade portuária de Mocha, segundo quatro fontes militares do governo do Iêmen. O grupo ampliou sua influência sobre o estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas marítimas do mundo.

Os houthis também lançaram ataques contra as estratégicas ilhas de Hanish, no Mar Vermelho, segundo fontes do governo ouvidas pela Reuters. Forças governamentais e seus aliados estão se deslocando para o sul, em direção a Dhubab, cidade localizada diretamente no estreito, do outro lado da ilha de Perim.

Nos últimos dias, houve uma escalada nos combates entre os aliados da Arábia Saudita no governo internacionalmente reconhecido do Iêmen e os houthis. O conflito abre uma segunda frente de guerra na disputa envolvendo o Irã e ameaça o fornecimento global de energia.

BCE sobe juros

O BCE (Banco Central Europeu) elevou as taxas de juros pela segunda vez neste ano, em uma medida amplamente sinalizada na quinta-feira, na esperança de conter uma alta da inflação impulsionada inteiramente pelos custos mais elevados de energia decorrentes da guerra contra o Irã.

A autoridade monetária elevou a taxa em 0,25 ponto base, a 2,5%, conforme esperado pelo mercado. O patamar passa a valer a partir de 16 de setembro.

A disparada dos preços do petróleo e do gás natural elevou a inflação para bem acima de 3% na zona do euro (composta por 21 países) no mês passado, superando em muito a meta de 2% do BCE.

Mais cedo, dados do PPI, o índice de preços ao produtor, dos EUA mostrou números próximos da expectativa em agosto. Na passagem de julho, o indicador da inflação subiu 0,4%, enquanto em 12 meses o resultado ficou em avanço de 5,4%.

Apesar de os dados virem próximos do esperado, o mercado mantém a aposta de alta dos juros pelo Fed na próxima semana, a primeira desde 2023, em meio à pressão gerada pela alta dos preços com a guerra no Irã.

*Com informações da Reuters